A Petróleos da Venezuela (PDVSA) recebeu em janeiro o primeiro lote dos equipamentos das 4 plantas de etanol que a estatal venezuelana encomendou à Dedini, empresa líder mundial na produção de equipamentos para o setor sucroalcooleiro. Com sede em Piracicaba, região que concentra a maior parte da produção brasileira de açúcar e álcool, no interior de São Paulo, a Dedini já enviou para o cliente um pouco mais de 50% do que está sendo produzido nas unidades de Piracicaba, Sertãozinho e nas fábricas de Recife.
No fim de dezembro de 2009 foram enviados quatro navios com o equivalente a 18 mil m³ de equipamentos (o total previsto é de 35 mil m³). Outros dois ou três lotes serão embarcados até agosto desse ano, quando termina a fase de entrega do projeto e se inicia a montagem das plantas. Essas são as primeiras plantas de etanol da Venezuela, e estão incluídas no plano de investimento e desenvolvimento industrial do país. Cada uma das destilarias tem capacidade para produzir 700 mil litros de etanol por dia.
A Rússia, principal importadora de carne suína do Brasil, pode se tornar também nosso maior concorrente. E isso num futuro próximo, assegura Mário Lanznaster, presidente da Cooperativa Aurora, de Santa Catarina, que possui 17 associadas e é a maior produtora de carne de porco do país.
Eu fiquei surpreso, mas o dirigente explica: “A Rússia, que sinaliza a compra de mais carne agora em 2010, ao mesmo tempo incrementa e moderniza a sua suinocultura, já que ela não quer ficar dependente do mercado externo”, afirma Lanznaster, que acabou de retornar de lá. “É bom a gente se preparar. Apesar de estar enfrentando um surto da temível peste suína, a Rússia está focada na possibilidade de abastecer plenamente o seu consumo interno. Investe e conscientiza os seus produtores.”
O pecuarista de corte está preocupado com a sua atividade devido ao preço da arroba ter estacionado nos últimos meses. Mas ele continua com o olhar fixo no futuro. Veja: a Agropecuária CFM assistiu ao aumento na carteira de clientes que compram seus tourinhos em 40% no ano passado, na comparação com 2008. Foram 141 clientes agora contra 102.
“A empresa transformou o que parecia um ano pessimista, devido à crise mundial, num ano de muitos negócios. Comercializamos esses animais em 13 estados. Em 2008, nossos tourinhos serviam a vacada em 10 estados brasileiros”, afirma Luís Adriano Teixeira, coordenador de pecuária da CFM.
Teixeira acrescenta um dado importante para justificar a boa performance da CFM. “É a profissionalização do produtor rural. Cada vez mais ele busca animais com genética provada e comprovada para ganho de peso a pasto, caso dos touros CFM que possuem Certificado Especial de Identificação e Produção (Ceip).” Entre outros atributos, os tourinhos CFM produzem filhos com carcaças que o mercado atual exige. É dele a informação.
Segundo Teixeira, o recrudescimento da atividade de cria no Brasil, devido à valorização do bezerro, igualmente empurrou para cima a comercialização de touros.
A pecuária de corte tem um futuro promissor desenhado e progrediu aceleradamente nos últimos anos devido a essa visão focada no amanhã dos fazendeiros. Genética boa, desfrute melhorado, liderança mundial na exportação de carne, qualidade também para o mercado interno, são conquistas sem retorno. Traduzindo: os pecuaristas se prepararam e continuam buscando tecnologias de ponta e manejo correto, os quais lhes permitem enfrentar mercados extremamente exigentes e competitivos.
Reforça a tese a comercialização de gado de elite no ano passado. O mercado não sofreu um arranhão, me disse Paulo Horto, da Programa, opinião que foi chancelada por vários outros selecionadores, como Olavo Monteiro de Carvalho e Eduardo Biagi. Para touros melhoradores ou genética de nível em pistas coloridas de leilões a demanda está aquecida.
2010 alvoreceu alvissareiro para a suinocultura brasileira. E, no último fim de semana, o Wall Street Journal trouxe uma notícia que deu mais esperança às empresas exportadoras e aos produtores que desejam esquecer logo o ano de 2009, que foi mal, muito mal.
Uma lei federal dos Estados Unidos abrandou as normas para aquele país importar pele de suínos para a produção do saboroso torresminho, muito apreciado aqui por nós e também na pátria do Obama. Foi uma empresa de Ohio que obteve resposta positiva do Departamento de Agricultura (Usda) para levar pele do Brasil para lá. Apreciador do petisco, o ex-presidente George Bush deve estar satisfeito em seu rancho no Texas. Seus colegas republicanos nem tanto, acredito, já que os EUA são os maiores produtores de torresmo de todo o mundo.
O Brasil é o principal favorecido. Os EUA morrem de medo de comprar carne de países nos quais suínos e bovinos têm doenças graves. Eles ficaram traumatizados desde 2003, ano no qual as autoridades sanitárias descobriram o primeiro caso de “vaca louca” no estado de Washington. Inglaterra e outros países europeus, além do Canadá, tiveram seus rebanhos de suínos – também de bovinos – atacados por várias doenças nos últimos anos. A empresa americana que obteve o sinal verde do Usda é a Rudolph Foods Co, da cidade de Lima, em Ohio, que possui uma fábrica de produção de torresmo em Chapecó, SC. Segundo Mark Singleton, presidente da Rudolph, a nova regra foi baseada em argumentos científicos. Santa Catarina é considerada área livre de vacinação contra a febre aftosa, que por aqui se manifestou nos estados de Paraná e Mato Grosso do Sul, em 2005.
Um detalhe importante: nos EUA, a carne suína se popularizou a partir da “dieta de Atkins”, a qual recomenda o consumo de pouco carboidrato. Pois é, torresmos não contêm carboidratos. São ricos em proteínas.
Eu andei pelas granjas de suínos há 15 dias em diversas regiões de Santa Catarina. Testemunhei a preocupação dos produtores com a assepsia nos estabelecimentos. O meio ambiente é pauta por lá. Vocês se lembram, por exemplo, dos mal afamados resíduos dos porcos, que antigamente eram despejados nos rios e igarapés? Pois é, hoje, eles viram adubo nas esterqueiras. São vendidos, proporcionando renda extra aos estabelecimentos, ou despejados em lavouras.
Diante disso tudo, é preciso dizer o seguinte: 1) As mudanças são forçadas por um mercado cada vez mais exigente. Os produtores não são anjinhos. 2) Não são todas as granjas que seguem ao pé da letra as normas ambientais, mas é uma tendência irreversível. Foi o que me garantiu Mario Lanznaster, presidente da Cooperativa Aurora, maior produtora de carne suína do Brasil. Ele tem mais de 40 anos como suinocultor. 3) Como George Bush, eu também gosto muito de um torresminho bem frito. Com café ou cachaça.
A Bolsa de Comércio de Rosário estima uma forte retração na safra de trigo argentina que será cultivada este ano, com a produção podendo chegar a 50% da safra passada. A avaliação é de que os pequenos produtores optem por um produto mais seguro. Já os grandes produtores não querem correr o risco cultivar um produto que tem as regras de mercado ditadas pelo governo. A Argentina é o principal fornecedor de trigo para o Brasil.
Ainda segundo a bolsa, os problemas enfrentados pelos produtores são muitos, como as fortes restrições para a comercialização do grão, cuja colheita foi concluída na última semana. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a produção de trigo da safra 2009/2010 atingiu 7,44 milhões de toneladas. O governo de Cristina Kirchner, no entanto, estima a safra em 7,48 milhões de toneladas. De qualquer forma, qualquer um destes números está abaixo do volume verificado na colheita anterior, que chegou a 8,7 milhões de toneladas.
Os analistas explicam que a oferta, no entanto, é maior que o volume produzido, já que existem 3,6 milhões de toneladas remanescentes da colheita passada e outros 1,2 milhão de toneladas, que estariam armazenados à espera de preços melhores. Com isso, o volume disponível para 2010 chegaria a quase 12,3 milhões de toneladas, conforme fontes do Escritório Nacional de Controle Comercial Agropecuário (Oncca, pela sigla em espanhol), o organismo que regula o comércio do setor.
Os números são polêmicos porque nenhum produtor confirma a existência de estoques não declarados ao governo. As entidades rurais reclamam que os agricultores vivem uma crise provocada, em parte, pela forte estiagem, e também pela política oficial que desestimula a produção. As entidades não se conformaram com o pacote de medidas que o governo anunciou para o setor, que contempla a liberação de 1 milhão de toneladas de trigo para exportação, um acordo para que os moageiros comprem 1,5 milhão de toneladas pelo preço de mercado e a devolução dos impostos de exportações (retenções) de trigo para os produtores pequenos e médios.
O governo considera que tais medidas são suficientes para ajudar a maioria dos agricultores. De acordo com o ministro de Agricultura, Julian Domínguez, 93% dos produtores de trigo — 27 mil — são pequenos e médios. Estes agricultores são responsáveis por 50% da produção total do cereal. A área implantada com trigo caiu de 5,6 milhões de hectares, na safra 2007/2008, para 3,08 milhões, em 2009/2010. No mesmo período de comparação, as exportações também retrocederam de aproximadamente 10 milhões de toneladas para cerca de 4 milhões de toneladas.
Em apenas duas safras — em função da queda das vendas para o Brasil, principal importador do cereal vizinho — a Argentina caiu do quinto para o oitavo lugar no ranking de exportadores mundiais de trigo. O abastecimento interno, estimado em 6,5 milhões de toneladas, também é motivo de preocupação, segundo a bolsa de Rosário. A próxima safra de trigo na Argentina começa a ser plantada em meados de maio.
Luciana Franco, editora-assistente da revista Globo Rural, traz aqui as novidades e as tendências mundiais das commodities agrícolas e das cadeias do agronegócio.
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Sebastião Nascimento, editor, nasceu em São Luís do Paraitinga, onde desde a infância conviveu com as manifestações culturais e folclóricas ricas e ecléticas. Se tivesse amealhado um pouquinho de dinheiro, gostaria de ter criado umas vaquinhas leiteiras e algumas cabras também de leite. Quem sabe um dia dá.sjunior@edglobo.com.br